O BICO DA OBRA
Obras em casa, dum bico ao outro.Sábado de Pias
Alvorada às 10 da manhã e depois de noitada de poker (perdemos). Primeiro destino: Framarte, Cedicer e Edimel na Estefânia — capital da pia. Almoço. E foi A8 com eles até Santo António dos Cavaleiros: Largiro, Anlorbel e Mantovani. À hora de jantar estávamos de volta a casa e com quatro dúvidas:
Estão abertas as votações. Bitaitem!
Dia 9

A dispensa já não tem parede, a porta está à espera da sua nova localização 1m à frente.
Rita
Blog Action Day
Com o pretexto de participar no Blog Action Day deste ano, andei em grandes considerações sobre a construção sustentável.
Numa primeira abordagem podemos dizer que a remodelação é sempre mais ecológica que uma construção de raiz. Isto porque não envolve tanta matéria-prima reduzindo o impacto da sua extracção e/ou produção; não implica um crescimento urbano aproveitando as infra-estruturas já existentes como o saneamento, electricidade, acessos ou serviços, entre outras e evita a impermeabilização de novas áreas de solo ou a destruição de zonas verdes selvagens. Estes são alguns pontos mais técnicos de grande impacto no meio-ambiente mas basta bom senso para perceber que os três “R”s da ecologia estão presentes nas remodelações: reduzir, reaproveitar e reciclar.
Segundo ponto de consideração, o ciclo de vida de uma habitação. Para além dos cuidados com a construção, para a qual devemos seleccionar cuidadosamente os materiais e técnicas mais adequados, temos de ter em conta o contexto específico em que a casa se insere. Pretende-se conseguir uma inserção harmoniosa tendo em conta o aproveitamento dos recursos naturais, conhecido por arquitectura bioclimática e a obrigação social inerente à sua identidade cultural, características geomorfológicas, topográficas e climáticas, entre outras. Terminada a obra, vem a utilização, a manutenção e o desmantelamento, fases que devem ser igualmente planeadas como parte do projecto.
Outra noção interessante é a de que a decoração de interiores também pode contribuir para a eficiência energética de uma casa. O tipo de iluminação e as cores escolhidas podem diminuir a necessidade de iluminação e aquecimento ou arrefecimento.
Isto é uma construção sustentável. Ultrapassa as preocupações pelo meio ambiente, alargando-se ao equilíbrio entre três vertentes, a ambiental, a social e a económica.
Rita
Dia 6
As toupeiras continuam a passear pelas nossas paredes, de interuptor em tomada, de ponto de luz em comutador de escada.
Rita
Dia 5
Hoje de manhã fomos à “obra” em horário útil a ver se conhecíamos a malta trabalhadora. O Max é o encarregado, um metro e meio de músculo e um sorriso tímido, “o meu melhor homem” diz o Sr. Engenheiro. Depois há mais três rapazes esquivos que passaram a manhã desencontrados de nós. Tudo sempre muito limpo e arrumadinho. Ainda não vi jolas em nenhum canto e penduram toda a roupa numa fileira de “cabides” pregados na parede do closet. Perfeitos!
Rita
Dia 4
As paredes viraram folhas de papel, há montinhos de entulho em todos os cantos e os revestimentos foram arrancados: lambrins, papel de parede, rodapés, estuque…
Rita
Dia 3
Mais um dia!
Mais um dia, logo mais trabalho feito. Mais trabalho feito, logo mais paredes a baixo. Mais paredes abaixo, logo mais fotos para mostrar!!!


Miguel
Antes e Depois!
Todos gostam!
E já ninguém dispensa!
O querido mudei a casa obriga a ter, por isso…




Miguel
Vizinhos
É verdade, esqueci-me de contar:
No início de Setembro escrevi uma carta aos vizinhos e deixei uma cópia em cada caixa do correio. Apresentávamo-nos, avisávamos que iríamos fazer obras, manifestávamos intenção de reunir com o condomínio e deixávamos os nossos contactos. Umas semanas depois — quando já achávamos que ninguém gostava de nós — recebemos um telefonema do administrador do condomínio “o velhote de 88 anos que mora no 3º andar”, ficámos a saber. O senhor dizia que só conseguiria marcar uma reunião para o final de Outubro que o proprietário do segundo andar estava fora. Assim ficou combinado.
No entanto, marcado o início das obras, achámos que devíamos informar os vizinhos da data, pedir desculpa pelo incómodo e mostrar o nosso adorável sorriso. Foi assim que na quinta-feira passada, depois do trabalho, rumámos à casa nova. Espiámos a entrada, vazia, levámos a chave à porta, subimos um lance de escadas e especámos. Cabelo, decote, sorriso, “chega mais para a direita”, toca a campainha.
“Ai meus queridos estávamos ansiosos por vos conhecer”; casal de meia idade; filho solteiro em casa; filha casada há 7 anos deixa lá o neto durante a tarde; “nem imagina o que é que os do 3º fizeram no outro dia!”; arranjaram a casa há pouco tempo, chão, canalizações e cozinha; têm parabólica e ar-condicionado; “eu convidava-os a entrar mas o meu marido está a ver a bola”; não têm animais; moram há 30 anos no prédio; “nós não queremos maçar, a senhora deve ter de ir preparar o jantar”…
Meia hora depois, no patamar de cima, estão três bicicletas estacionadas. “Quem é? Ah são os vizinhos novos!!! Entrem por favor. Querido, vem cá que a Rita e o Miguel vieram apresentar-se (?!)”; muito boa música; mobília étnica; casal étnico; três filhos, um recém nascido; “E então, foi amor à primeira vista… a casa?”; obras recentes, traça original sem grandes invenções; estão a alugar; “O que é que fizeste ao braço? Na neve! A minha filha está desejosa de ir…” mudaram-se há 6 meses; o bebé chora muito; “nós não queremos incomodar, já está na hora do jantar”…
Para o dia seguinte ficaram os octogenários. “Peço desculpa pela desarrumação, não estávamos à espera de visitas”; o administrador vive com a irmã; compraram a casa aos padres; fui promovida a senhora; “antes vivia uma porteira no esconso da escada”; não têm filhos; o senhor é engenheiro; usam um cestinho para puxar as compras desde o rés-do-chão; o Miguel foi promovido a meu marido; “sabe que há um túnel da entrada até ao vosso quintal (?!)”; arranjaram a clarabóia a semana passada; conhecem o senhorio do 2º andar desde pequenino, é pessoa de bem; são pessoas de bem; “está na hora, não queremos atrasar o vosso jantar”, “nós já jantámos filha, afinal são sete e meia!”
:D
Rita
Dia 2

Ontem saíram os azulejos da cozinha e casa de banho, as loiças sanitárias e a monstra pedra do fogão que conseguiram tirar intacta! Também andaram a escarafunchar as paredes da sala e parece que aquele reboco texturado vai sair bem.
Hoje já tenho uma câmara decente e prometo melhores fotos para os próximos dias.
Rita
Dia 1

A casa encheu-se de materiais, botas, plantas e baldes. A selva no quintal foi extinta, sobrou a nespereira e uns raminhos folhados.
Rita
Ready, set, go!
Chaves entregues. Count down 11 semanas:
• Demolições
• Construção
• Electricidade
• Redes de Águas
• Redes de Esgotos
• Redes de gás
• Pinturas
• Caixilharia
• Carpintaria
• Pavimento
• Cantarias
Pronto a habitar dia 19 de Dezembro. Será?
Rita
Plantas técnicas
É um sistema para enganar leigos. Esta é a planta dos Encarnados e Amarelos, mas ao contrário do óbvio, a encarnado marcam-se as construções e a amarelo as demolições.

Esta é a planta das infra-estruturas, também conhecida por projecto de especialidades ora, como eu não sou arquitecta, ai de mim chamar-lhe tal coisa!

Também preparei uma espécie de caderno de encargos ao qual, pela falta de profundidade, chamei memória descritiva.
E foi assim que me deitei de madrugada, pronta para amanhã entregar as chaves da casinha à Bduplu!
Rita
Plantas finais
Pavimentos definidos: Soalho recuperado nos quartos, vinil/bolon no corredor, soalho novo na sala-cozinha e cimento afagado na casa de banho e marquise. Finally
Rita
Vinil xpto
Duas novidades ao nível do vinil porreiro:
Chilewich
Um vinil texturado que faz lembrar o linho, é comercializado pela StudioFirma em Cascais.
m2: não sei o preço

Technics
Da nossa perspectiva leiga é igual ao Bolon, comercializado pela Marques & Frederico em Lisboa.
m2: 44€ + aplicação de 5-10€
Entretanto estamos bastante decididos a fazer o chão da marquise em cimento afagado e o do corredor em vinil xpto ou Bolon. A marquise é mais exterior e o vinil sujar-se-ia muito e o corredor devia ser mais cozy do que o cimento permite. Done.
Rita
Pavimentos
Drama nº 37, o pavimento do corredor é um hediondo mosaico às manchinhas encarnadas.
Até saía barato substituirmos por soalho de madeira (6-7€ m2 para remover o mosaico + 15€ m2 para colocar soalho) mas faz-me espécie ver um soalho novo a tocar no antigo-recuperado dos quartos, prefiro assumir um material diferente que faça a ponte até ao soalho novo da sala. Agora, para não termos que remover o mosaico o ideal era aplicar um material baixinho directamente sobre o existente. Soluções:
Resina Epoxy: É uma mistura líquida que é aplicada como uma tinta e que fica com uma espessura de 2 a 3 mm, é autonivelante, pigmentada com qualquer cor e pode ter um acabamento glossy ou mate.
m2: 40-45€
Cimento Afagado: Tem muitos nomes — betonilha afagada / betão afagado — mas é apenas cimento com um acabamento mais cuidado para ficar polido — à costa da colher ou com helicóptero —, o qual se impermeabiliza e posteriormente protege com verniz ou cera acrílica.
m2: 13-14€
Microcimento: A principal diferença é que o cimento precisa de uns 8 cm para ficar com um bom acabamento, enquanto este microcimento é aplicado em camadas de 1 a 5 mm. E por oposição à Epoxy, não é autonivelante, pelo que pode ser aplicado em paredes.
m2: 58-66€
Vinil: É aquele tapete plástico de pontas reviradas que a avó tem no corredor. Por muitos novos padrões que lancem, o vinil vai estar sempre conotado como um crime contra o bom gosto. Mas é barato, resistente, prático e fácil de aplicar e substituir. It just might have to do!
m2: 12-50€ + aplicação de 5-10€
Bolon: Chegou para substituir o vinil e arrasou. É um tapete em PVP que é colado ao pavimento existente. A principal característica é ser texturado mas a amplitude de designs que tem é a grande mais-valia. Um único senão, é carote!
m2: 33-40€ + aplicação de 10-12€
Ahh… a todos os preços acresce IVA :D
Com cerca de 8 m2 de corredor, estamos falar na diferença entre 180€ e 600€… nã, o vinil está fora!
Rita
Quick, Quick, Slow
Um mês depois, ainda estamos às voltas com as mesmas dúvidas: casa de banho, cozinha, pavimentos… mas com uma novidade:
Orçamento fechado e início das obras marcado para 6 de Outubro :D
Rita
Inventário
A somar ao valor dos orçamentos apresentados temos o material que ficou de fora mas sem o qual não podemos habitar a casa:
• louças sanitárias
• azulejos
• puxadores
• candeeiros
• electrodomésticos
Depois disso, se não quisermos acampar, ainda teremos de comprar um mínimo de mobília.
Entre o IKEA, a Worten e a Valadares, seleccionei os produtos mais baratos dentro de não-é-de-deitar-os-dedos-à-goela e fiz uma lista de valores:
• frigorífico encastre: 500€ / normal: 350€
• máq. loiça encastre: 500€ / normal: 300€
• forno: 300€ + placa: 150€
• esquentador: 200€ / caldeira: 200€
• retrete suspensa: 100€ + 300€ / normal: 140€
• bidé suspenso: 79€ / normal: 73€
• base de duche: 200€ + deck: 130€
• lavatório: 100€
• móvel: xxx / bancada: xxx
• sofá: 1000€
• mesa: 200€
• cadeiras 4: 140€
• móvel TV: 50€
Preliminarmente estou a apontar para os 5.000 mais os móveis da cozinha e os azulejos. Será utopia?!
Rita















