O BICO DA OBRA
Obras em casa, dum bico ao outro.Luz
Agora que as electricidades já estão todas no sítio, temos de escolher um fornecedor. Depois de uma morosa investigação e de um telefonema para a EDP, descobri que a única concorrente da mesma é a EDP 5D que difere da primeira por pertencer ao mercado liberalizado. ?!… Também não percebi. Não percebendo, escolhemos a EDP.
Fomos ao balcão da loja do cidadão nos restauradores ao final do dia e saímos de lá num instante com uma pastinha de boas-vindas toda catita. A destacar, os anteriores proprietários da casa não deram baixa do contrato com a EDP, assim sendo, apesar de termos comprado a casa em Agosto a EDP continuou a cobrar o anterior contrato.
Moral da história: Nunca se esqueçam de terminar os contratos!
Rita
Dia 34
A casa de banho foi a menina da última semana.
Pavimento. O plano do cimento afagado mantém-se. A base de duche já foi executada com um degrau de 3cm e um desnível até aos 5cm em direcção ao ralo.
Revestimentos. Queremos todas as paredes em estuque e apenas a zona do duche com azulejo. Modernices. A verdade é que com um pé direito de 3,30m ainda não conseguimos encontrar azulejos que mereçam a nossa parede e que não nos levem à falência.
Rodapé. Eis um grande dilema. Gostávamos que os azulejos do duche ficassem à face do estuque das paredes, ou seja, que nenhum dos revestimentos tivesse relevo em relação ao outro. Mas como o duche não precisa de rodapé onde é que ele acabaria? E que material escolher, cimento, azulejo, inox…
Bancada. Ainda andamos às voltas para decidir se fazemos a bancada com a laje de cimento afagado suspensa que dá pesadelos ao Max ou se optamos pela conservadora pedra de mármore.
As louças e torneiras estão encomendadas e para breve. Mas como o empreiteiro se esqueceu de nos avisar mais cedo, as duas semanas de entrega significam atraso na obra. Mais um!
Rita
Dia 27
Depois do episódio citado, fomos ver a casita e as duas novidades.
O tecto da casa de banho e do corredor começou a receber as estruturas que suportam o Pladur:
E a sala abriu-se finalmente para a cozinha deixando-nos sentir pela primeira vez o tão controverso openspace:
Rita
Vizinhos 2
Eu sabia que devíamos ter oferecido um bolinho caseiro aos vizinhos!
Ontem recebemos um telefonema a pedir para passarmos pelo primeiro andar ao final do dia. Nervosos, tocámos à porta do casal de avós. A mulher, de porta aberta, convidou-nos a entrar. O homem, surdo, esperava na sala, fazia o telejornal ouvir-se no hall da entrada e sentava-se a meio metro da televisão. Ali sentámos, também a meio metro do aparelho, nos restantes lugares do sofá. Descrever a conversa que se seguiu é tão complicado como foi tê-la. Por entre repetições de frases curtas, moderadamente berradas e acompanhadas com toda a linguagem corporal disponível tentámos sossegar o patriarca que num monólogo inabalável vociferava contra o rapaz das obras “aquele de cor” que o tinha ofendido. Nós desenhámos uma teatral expressão de indignação enquanto acompanhávamos a história e desvendávamos o episódio em que o velho foi à janela acusar os trabalhadores de lhe partirem o chão e que, por surdez e racismo, não ouviu a resposta. O Max — soubemos depois pela sua versão — tentou explicar que estavam a trabalhar no tecto da casa e que o barulho era muito mas era susto e não dano, em trinta minutos estariam despachados. A mulher não sossegou com a nossa segurança em que o Sr. Engenheiro por lá andava e supervisionava os trabalhos, quis-nos mostrar os azulejos que o marido por toda a casa assentou, com cola, no soalho de madeira e garantir que pagaríamos o arranjo daqueles que saltassem. Nós aquiescemos e despedimo-nos, com uma pungente dor de cabeça mas secretamente satisfeitos pela descoberta do mau gosto alheio que nos isolou duplamente da televisão do surdo.
Rita
Aparelhagens
Apesar de termos entregue uma planta da casa com os interruptores, tomadas e pontos de luz assinalados, a confusão instalou-se. Foi então que, de pau de giz na mão, passámos um final de dia de cócoras a marcar as paredes da casa.
A altura standard dos interruptores é de 1,10m, na bancada da cozinha subimos para 1,30m e as tomadas colocámos a 40cm que o rodapé de 25cm não dá para menos. Escrevemos a que lâmpada correspondia cada interruptor e marcámos também as tomadas de telefone e televisão.
Valeu a pena. Tudo ficou no sítio certo, bem alinhado e com a função certa.
Agora vem a parte estética. Existem várias marcas e modelos de espelhos para as aparelhagens (frentes das tomadas e interruptores). O empreiteiro recomendou-nos as Legrand, marca francesa com boa relação qualidade-preço. Costuma usar a Suno:
Mas eu apaixonei-me pela Galea que é uma gama muito mais completa, com dezenas de cores e até com opções de material como metal, imitação de madeira, pele ou corian:
Vamos lá ver a diferença de preços…
Rita
Dia 24
Canalização também. A cozinha, recentemente três metros quadrados de fosso com canos expostos, lama e detritos, começou finalmente a receber cimento e a assumir as futuras medidas.
Rita
Dia 22
A instalação eléctrica está concluída. As lagartas azuis que se dirigem para o quadro contém os cabos de cada divisão, assim todas têm um disjuntor independente. Os electrodomésticos são excepção, têm um disjuntor cada, para poderem explodir sem inutilizarem o circuito da cozinha.
Para simplificar os trabalhos e limitar a escavação das paredes, optou-se por passar os cabos pelo tecto. Doeu quando os vi destruir as pequenas ripas de madeira septuagenária que segurava o estuque, mas o gesso cartonado (mais conhecido pela marca Pladur) que substituirá o tecto tradicional e as sancas em esferovite deixarão a intervenção imperceptível. E com 3,30m de pé direito nunca daremos pelos 10cm a menos na altura do corredor e da casa de banho.
Difícil mesmo foi bater o pé a instalação de focos no tecto falso. Oh francamente, a senhora tem 75 anos, não está para modernices!
Rita
Pay day
Vigésimo dia de obras e quase um mês depois do início fizemos ontem o primeiro pagamento ao empreiteiro. O orçamento inicial foi apertado aqui e esticado ali e excluindo os ‘dramas’ ficou por 23.990€. Acordámos pagar o trabalho em tranches mensais de 5.000€ em regime de pós-pagamentos justificados pelas despesas que o empreiteiro vai tendo com materiais e ordenados.
A factura ficará para o fim da obra quando fecharmos as contas, por enquanto, recebemos um comprovativo assinado pelo empreiteiro em como recebeu o dinheiro. Embora sem valor legal, este papel evita mal entendidos.
Rita
Dia 17

Drama 2. Os canos do 1º, do 2º e do 3º andar têm de passar pelas nossas paredes para descarregar no esgoto por baixo da nossa casa. A principal via são duas ‘prumadas de esgoto’ junto às casas de banho. Pois parece que o Sr. Engenheiro diz que era mais seguro trocarmos estes velhos canos de metal por tubos de PVC. “Mais vale gastar dinheiro agora que vir a ter uma inundação de m*#rda em casa!”. Um pedido aos vizinhos para uma manhã sem descargas, 470€ para as duas prumadas e mais uns 50€ para um remendo num cano da cozinha.
Rita
Sábado de Pias
Alvorada às 10 da manhã e depois de noitada de poker (perdemos). Primeiro destino: Framarte, Cedicer e Edimel na Estefânia — capital da pia. Almoço. E foi A8 com eles até Santo António dos Cavaleiros: Largiro, Anlorbel e Mantovani. À hora de jantar estávamos de volta a casa e com quatro dúvidas:
Estão abertas as votações. Bitaitem!
Dia 11

Drama. As cozinhas do IKEA são modulares. Módulos de 30, 40, 50 ou 60 cm. Nem mais nem menos.
Ora a nossa cozinha tem 2,5m x 3m, logo não há problema nenhum. Wrong! Não há medidas exactas na construção.
A nossa cozinha na realidade tem 2,48m x 2,96m e depois de muitas unhas roídas a única solução é levar um dos móveis à carpintaria e tirar-lhe os dois centímetros que faltam à parede mais dois de rodapé e demolir e reconstruir a pequena parede a que encosta o frigorífico.
Mais dois dias de trabalho, um choradinho para o móvel e 175€ para a parede.
Rita
Blog Action Day
Com o pretexto de participar no Blog Action Day deste ano, andei em grandes considerações sobre a construção sustentável.
Numa primeira abordagem podemos dizer que a remodelação é sempre mais ecológica que uma construção de raiz. Isto porque não envolve tanta matéria-prima reduzindo o impacto da sua extracção e/ou produção; não implica um crescimento urbano aproveitando as infra-estruturas já existentes como o saneamento, electricidade, acessos ou serviços, entre outras e evita a impermeabilização de novas áreas de solo ou a destruição de zonas verdes selvagens. Estes são alguns pontos mais técnicos de grande impacto no meio-ambiente mas basta bom senso para perceber que os três “R”s da ecologia estão presentes nas remodelações: reduzir, reaproveitar e reciclar.
Segundo ponto de consideração, o ciclo de vida de uma habitação. Para além dos cuidados com a construção, para a qual devemos seleccionar cuidadosamente os materiais e técnicas mais adequados, temos de ter em conta o contexto específico em que a casa se insere. Pretende-se conseguir uma inserção harmoniosa tendo em conta o aproveitamento dos recursos naturais, conhecido por arquitectura bioclimática e a obrigação social inerente à sua identidade cultural, características geomorfológicas, topográficas e climáticas, entre outras. Terminada a obra, vem a utilização, a manutenção e o desmantelamento, fases que devem ser igualmente planeadas como parte do projecto.
Outra noção interessante é a de que a decoração de interiores também pode contribuir para a eficiência energética de uma casa. O tipo de iluminação e as cores escolhidas podem diminuir a necessidade de iluminação e aquecimento ou arrefecimento.
Isto é uma construção sustentável. Ultrapassa as preocupações pelo meio ambiente, alargando-se ao equilíbrio entre três vertentes, a ambiental, a social e a económica.
Rita
Dia 6
As toupeiras continuam a passear pelas nossas paredes, de interuptor em tomada, de ponto de luz em comutador de escada.
Rita
Dia 5
Hoje de manhã fomos à “obra” em horário útil a ver se conhecíamos a malta trabalhadora. O Max é o encarregado, um metro e meio de músculo e um sorriso tímido, “o meu melhor homem” diz o Sr. Engenheiro. Depois há mais três rapazes esquivos que passaram a manhã desencontrados de nós. Tudo sempre muito limpo e arrumadinho. Ainda não vi jolas em nenhum canto e penduram toda a roupa numa fileira de “cabides” pregados na parede do closet. Perfeitos!
Rita
Dia 4
As paredes viraram folhas de papel, há montinhos de entulho em todos os cantos e os revestimentos foram arrancados: lambrins, papel de parede, rodapés, estuque…
Rita
Dia 3
Mais um dia!
Mais um dia, logo mais trabalho feito. Mais trabalho feito, logo mais paredes a baixo. Mais paredes abaixo, logo mais fotos para mostrar!!!


Miguel





















